segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Apresentação do Trabalho de Fabio Pimenta no 21º EAIC em Maringá
A UTILIZAÇÃO DE SONHOS COMO ESTÍMULO PARA A COMPOSIÇÃO DE CENAS
Fabio de Almeida Pimenta (PROART/UEL),
Aguinaldo Moreira de Souza (Orientador), e-mail: fabio.fabio.fabio@hotmail.com
Universidade Estadual de
Londrina/Departamento de Música e Teatro
CECA - MUT
Artes – Teatro
Palavras-chave: Treinamento de ator, sonhos,
surrealismo
Resumo
O
objetivo desta pesquisa foi realizar um estudo teórico e prático que
investigasse possibilidades de utilização dos sonhos como estímulo para a
criação cênica. Este processo se desenrolou junto ao curso de Artes Cênicas da
Universidade Estadual de Londrina – UEL e ao treinamento diário proposto pelo
projeto de pesquisa treinamento técnico e sistematização de processos de trabalho de
ator coordenado por
Aguinaldo de Souza. O
cronograma da pesquisa incluiu períodos de registros de imagens e episódios que
possam ser resgatados dos possíveis sonhos do próprio artísta pesquisador.
Participação na composição da demonstração de trabalho “Sonhos” coordenada por
Margarida Vine em 2011 junto aos alunos do 2ºano de Artes Cênicas; e sessões de
trabalhos de dez horas semanais referentes: a pesquisa bibliográfica, estágios
de observação e relatórios sobre as atividades. Procurei concretizar registro
dos materiais, reflexões e práticas como
resultantes da pesquisa.
Introdução
Vasily Toporkov ao ser dirigido por
Stanislavski, escreve: “[...] hay que partir en primer término de sí mismo, de
sus cualidades personales; en segundo término, siguiendo la leyes creadoras; y
em el tercero, subordinando su próprio yo a la lógica de outra persona, [...]”
(TOPORKOV, 1961, p.170)
A partir desta colocação, considero
que todo papel representado por um ator será a soma da individualidade dele,
com as situações propostas pela representação.
Então, suponho que o ator tem a acrescentar, enquanto individualidade,
uma bagagem técnica e outra pessoal. Enquanto técnica, ele carregará para o
momento da cena tudo o quanto investigou, em teoria e prática. O ator é um ator
diferente de acordo com os princípios técnicos e conceitos teatrais que domina.
Quanto a bagagem pessoal tem-se, por exemplo, o seu contato com as diferentes
formas de arte. A apreciação destas pode agregar (à
complexidade do ator) uma carga de conhecimento que será refletida em seu
trabalho. Não se trata de
conhecimento técnico, são vivências significativas para o desenvolvimento do
artista. Há desenvolvimento proporcionado pela contemplação da música, das
artes plasticas e do teatro. Neste contexto, presumo que ao fazer
um registro pessoal de sonhos, um espaço é criado na memória e surgem
possibilidades criativas a partir da retomada deste material. A exemplo da
apreciação da arte, registrar os sonhos agregaria à pessoalidade do ator um
material que não seria agregado se não através desta ação. Pretende-se que este
material se torne
presente e, podendo ser relembrado, seja uma rica fonte de estímulos criação
cênica.
Materiais e métodos
Como
primeira etapa da pesquisa foi preciso agregar materiais referentes ao objeto
da pesquisa, ou seja, os sonhos. Para tal criou-se o costume de um diário de
sonhos. Este, recebia todas as manhãs, anotações sobre o que havia sido
vivenciado durante o sono. Tive como referência da utilização dos sonhos em
processos artísticos, o movimento Surrealista. Assim, outra ação desta primeira
etapa da pesquisa foi um levantamento bibliográfico, leitura e fichamento de
livros sobre o Surrealismo. Além disso foram realizadas sessões de uma
adaptação do jogo Cadavre Exquis, da qual também surgiram materiais. Acerca
das relações entre os sonhos e este movimento, cita-se Ceres Fernandes no livro
“Surrealismo e loucura”: “Freud já afirmava que o mundo onírico dos sonhos se
expressa de forma poética.” (FERNANDES, 2008, p.47). Através da mesma autora
sabe-se que os surrealistas se interessaram pelos sonhos como estímulo criativo
e não como material de significado psicanalítico. E ainda no mesmo o livro:
“[...] tanto Freud quanto Lacan, já afirmam que os sonhos se apresentam por si
sós como linguagem. Eles inclusive contém recursos semânticos e sintáticos tais
quais os da poesia […] bem como os poetas incluem racionalmente em suas
criações poéticas.” (FERNANDES, 2008, p.49 )
Já
no livro “SURREALISMO” de Marilda Vasconcelos encontra-se: “Cinema e sonho
exprimem através de imagens, o conteúdo latente da vida.” (VASCONCELOS, 1986,
p.27) e “No ato da criação, o poeta incorpora, simultaneamente, os
domínios do sonho do mágico e do maravilhoso. […] “todos são videntes” […] “o
Surrealismo está ao alcance de todos os inconscientes.” (VASCONCELOS, 1986,
p.42) A mesma autora ainda irá falar especificamente sobre a prática de anotar
os sonhos: “Outra prática surrealista é a anotação dos sonhos, logo ao
despertar. Todos nós sabemos que a teia das imagens se esgarça ao vislumbre da
lucidez, o que torna difícil sua transcrição. […]”(VASCONCELOS, 1986, p.47) E
ela complementa: “Cabe aos poetas operarem a síntese entre sonho e realidade e
essa síntese é tanto de ordem poética como prática.”(VASCONCELOS, 1986, p.47)
A
partir do diário de sonhos e da pesquisa em torno do Surrealismo, foi possível
traçar uma tabela com algumas características recorrentes nos sonhos
registrados e possíveis transposições para a cena.
Quando
foi realizado o trabalho coordenado por Margarida Vine este panorama já estava
estabelecido. Deste quadro foram tomados os princípios a serem investigados.
Pude aliar minha participação neste trabalho com a pesquisa de iniciação
artística. O título da demostração e a opção por trabalhar sobre este tema foi
uma conveniente coincidência. Duas cenas em especial foram objetos deste
estudo. A que iniciava a peça colocava uma fileira de atores andando de forma
organizada porém sinuosa. Era como se eles tivesse um caminho definido, mas não
tivessem controle de seus corpos. Nas duas laterais entram atores com tambores
tocando-os de forma irreal, não conseguindo atingi-los com as mão e
reproduzindo seu som com a boca. A outra cena traz a realização de uma
partitura improvisada simultaneamente a contação de sonhos aleatórios conforme eles vem à mente.
Nestes dois momentos da demonstração de trabalho foram propostas aplicações de
aspectos listados que refletem os estudo sobre o Surrealismo e sobre o registro
dos sonhos em um diário.
Resultados e Discussão
A
analise posterior desta pesquisa a coloca no mínimo como um processo
incompleto. Surgiram poucos resultados práticos específicamente a partir desta,
no entanto toda ela implementa a minha formação como ator. E mais restritamente
ela refletiu nos trabalhos realizados concomitantemente. Isso inclui a
demonstração de trabalho “Sonhos”, e o espetáculo “Viés” apresentado pela
CIA.L2. Nestes, sempre que possível o estudo dos sonhos era trazido para as
partituras corporais realizadas. Considero que é possível definir os sonhos
como um material rico para as Artes Cênicas. Um material pessoal e também que
solicita princípios técnicos. Este material pode ir para a cena como estímulo
em diferentes níveis.
Conclusões
Mesmo
ciente de que esta investigação tem mais o que gerar além do que foi trazido à
tona neste um ano de pesquisa, ela se conclui sem serem desconsideradas as
poucas elucidações obtidas. Muita coisa foi lida, tem-se bastante material em
forma de fichamento e anotações. Isto que se recolheu comprova que existe uma
serie de possibilidades de utilização dos sonhos como subsídio para a criação
cênica. Por outro lado, também fica claro que para colher daí, resultados
teóricos e práticos mais relevantes seria preciso mais tempo de estudo.
Agradecimentos
Agradeço
ao Prof. Dr. Aguinaldo Moreira de Souza e a Cia.L2 pela rotina de pesquisa que
partilhamos diariamente.
Referências
FERNANDES, C. C. Surrealismo
& Loucura e outros ensaios. São Luís: Gráfica Aquarela, 2008.
REBOUÇAS, M. de
V. Surrealismo. São Paulo: Ática, 1986.
TOPORKOV, V.
Tartufo: Charla preliminar y comienzo de los trabajos praticos. In: TOPORKOV,
Vasily. Stanislavsky dirige. Argentina: Faberman, 1961, p.
163-231.
Postado por
ENTRE A POLÍTICA E A ESTÉTICA : MEU CORPO-PÁGINA E A MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO NAZISTA
às
17:50
Nenhum comentário:
Marcadores:
Pesquisa
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Apresentação do Trabalho de Lucas Turino Silva no 21º EAIC, em Maringá
Lucas Turino Silva (PROART-UEL), Aguinaldo
Moreira de Souza (Orientador), e-mail: guidanca@yahoo.com.br.
Universidade Estadual de Londrina/Departamento
de Educação Comunicação e Arte/Londrina, PR.
Área e subárea do conhecimento
conforme tabela do CNPq
Palavras-chave:
parada de mão, inversão do eixo,
criação.
Resumo:
No desenvolvimento da
presente pesquisa foram realizados exercícios de inversão do eixo no intuito de
construir uma cena partindo das sensações geradas pelo movimento (alterações na
visão, audição, pressão sanguínea).
Introdução
O impulso para a minha pesquisa se deu
no meu primeiro ano de Artes Cênicas na Universidade Estadual de Londrina (UEL)
no projeto: “Treinamento técnico e sistematização de processos de trabalho do
ator”, coordenado pelo professor doutor Aguinaldo Moreira de Souza.
No primeiro ano de minha participação
no projeto os alunos tiveram contato, entre outras coisas, com acrobacias de
solo, e estas eram usadas para adquirir força, agilidade e trabalhar alguns
pontos específicos do exercício corporal,
que variam de acordo com a acrobacia utilizada.
Os
exercícios físicos de treinamento permitem desenvolver um novo comportamento,
um novo modo de se movimentar, de atuar e reagir: assim se adquire uma habilidade
específica [...] A ponte entre o físico e o mental provoca uma ligeira mudança
de consciência, que permite vencer a inércia, a monotonia e a repetição.
(BARBA, 1995, p.58)
Chamou-me a atenção o uso de
acrobacias no trabalho corporal do ator, por estes ampliarem a disponibilidade
corporal e, principalmente, por buscarem a preparação de um corpo extracotidiano,
dilatado e “pronto para”, como dizia a minha professora do primeiro ano Ceres
Vittori (este “estado”, dizia ela, vinha de uma preparação e de uma atenção
diferenciada conseguida através de trabalho).
Comecei,
então, a buscar conhecer um pouco mais sobre o como e porquê fazer acrobacias. Esta prática é usada para possibilitar uma forma de
“pensamento em ação” e criar uma consciência e um raciocínio corporal.
Eugenio
Barba usa exercícios de acrobacias para desenvolver nos atores confiança,
precisão, capacidade de pensar integralmente e a capacidade de adaptar-se
continuamente à situação que surge.
Materiais e métodos
Durante o processo de construção da
cena eu pesquisei varias coisas diferentes. No âmbito teórico eu fui atrás de
poesias como a O Segundo que me Vigia.
Para amparar meus estudos eu busquei
também referencias teóricas que me embasassem em meus estudos e meus experimentos,
e encontrei livros sobre coordenação motora, acrobacias e livros de teatrólogos
que trabalham cm isso, como o Eugenio Barba.
Resultados e Discussão
Como resultado é possível apresentar
uma cena construída a partir de sensações analisadas em um momento de sustentação
do corpo fora do eixo, na posição da parada de mão.
Esta cena já sofreu várias alterações
por novas indicações do meu orientador e diretor.
A cena construída faz parte do
espetáculo Viés da Cia L2
Conclusões
Ao final deste processo de pesquisa
foi possível concluir que exercícios que mexem com o labirinto e tiram o
equilíbrio podem ser usado como exercícios de base para a construção de uma
cena por gerarem um estado extracotidiano apresentando alterações corporais e
mentais.
Concluo a pesquisa iniciada em
agosto de 2011 com a apresentação do espetáculo Viés no qual esta inserida uma
cena construída por mim a partir do estudo de equilíbrio invertido.
Agradecimentos
Agradeço ao Aguinaldo Moreira de Souza
que me orientou com paciência e destreza.
Referências:
BARBA, Eugênio. “O Treinamento”.
In:______. ALÉM DAS ILHAS FLUTUANTES;
tradução de Luis Otávio Burnier. Campinas: Editora da UNICAMP, 1991.
______.;
SAVARESE, Nicola. A ARTE SECRETA DO ATOR.
Campinas: Editora da Unicamp,
1995.
MAGGIL,
Richard A. “Capítulo 3”. In:______ . APRENDIZAGEM MOTORA. São Paulo: E.Blucher, 1986.
SANTOS, José Carlos Eustáquio dos. MANUAL DE GINÁSTICA OLIMPICA;
ilustração de Aureliano Borges do Carmo; fotografias de Nilton Fernandes
Coelho. 2. ed., Rio de Janeiro: Sprint, 1985.
GROTOWSKI, Jerzy. EM BUSCA DE UM TEATRO POBRE; tradução de Aldomar Conrado. Brasil:
Civilização Brasileira, [s/d].
Insira as
referências de acordo com o tipo de publicação e conforme indicado nas normas.
Postado por
ENTRE A POLÍTICA E A ESTÉTICA : MEU CORPO-PÁGINA E A MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO NAZISTA
às
19:43
Nenhum comentário:
Marcadores:
Pesquisa
Apresentação do Trabalho de Antonio Rodrigues no 21º EAIC em Maringá
A ORGANICIDADE E A REPRESENTATIVIDADE DO ATOR: EXPERIMENTAÇÕES E REFLEXÕES NO TRABALHO COM AS CORPOREIDADES ANIMAIS
Antonio
Marcelino Vicenti Rodrigues (Fundação Araucária/Inclusão Social ─ UEL), e-mail:
rodrigues_amv@hotmail.com
Orientador:
Aguinaldo Moreira de Souza, e-mail: guidanca@hotmail.com
Universidade
Estadual de Londrina/Centro de Educação, Comunicação e Artes/Departamento de
Música e Teatro/Londrina, PR.
Grande área: Linguística,
Letras e Artes / Área: Artes.
Palavras-chave: organicidade, representatividade, corporeidades
animais.
Resumo
Este
trabalho aborda alguns princípios não interpretativos trabalhados nos
exercícios das corporeidades animais[1]
que podem ser usados para a geração e a manutenção da organicidade do ator no
ato representativo. Isso se dá na tentativa de entender como é possível ao ator
encontrar a organicidade dentro de exercícios codificados, os das corporeidades
animais.
Introdução
A pesquisa aqui apresentada pensa
meios não interpretativos e orgânicos para a composição cênica a partir de
exercícios com as corporeidades animais. Busca-se espaço para a experimentação
e reflexão acerca do fazer teatral pela aplicação de princípios não
interpretativos em relação às corporeidades animais.
Materiais e métodos
As reflexões aqui apresentadas se
deram por meio da prática diária com os exercícios das corporeidades animais e,
simultaneamente a isso, a teorização dos mesmos por meio dos subsídios teóricos
aqui apresentados.
Resultados e Discussão
Da organicidade
De acordo com a definição de Luís O.
Burnier (2009), a organicidade configura-se em um nível primário, como a
organização interna de nossos órgãos para a manutenção do fluxo de vida de
nosso corpo e, em um nível secundário, como a coerência complexa dos elementos
de um sistema, o qual é artificial e estético. Dessa forma, torna-se necessário
à obtenção da organicidade em uma ação física ou em uma sequencia de ações
físicas o desenvolvimento de um conjunto complexo de ligações e interligações
internas à ação ou à sequência das ações. Entenda-se por ação física “um
processo psicofísico de luta contra as circunstâncias dadas para alcançar um
determinado objetivo, que se dá no tempo e no espaço de uma forma teatral
qualquer” (DAGOSTINI apud DAL FORNO, 2002, p. 41).
Stanislávski (apud RUFFINI, 1995) em seu sistema, propõe uma condição essencial
para o ator estar em cena, que consiste na condição humana mais simples e natural. A partir do trabalho, do estudo e
da técnica, Stanislávski aponta que seu sistema tem a finalidade de construir
uma “sensibilidade cênica geral” (STANISLÁVSKI apud RUFFINI, 1995, p. 150), isto é, um nível de aguçamento
psicofísico que não condiz com aquele utilizado na vida cotidiana, o qual, por
sua vez, é mecânico e condicionado. O nível de aguçamento psicofísico que o
sistema stanislavskiano busca, está relacionado com a integralidade do corpo do
ator. O objetivo deste, em seu ofício, deve consistir em buscar a dilatação do
“corpo-mente”, os quais estão intrinsecamente condensados. Franco Ruffini
(1995, p. 150) aponta:
A condição humana de
que fala Stanislávski, baseada em procedimentos ‘psicofisiológicos que se
originam em nossas próprias naturezas’, pode ser definida como o ‘corpo-mente
orgânico’. Aceitando a ‘ficção da dualidade’ podemos dizer que um corpo-mente é
orgânico quando o corpo responde às exigências feitas pela mente de uma maneira
que não é nem ‘redundante’, ‘negligente’, ‘nem incoerente’, isto é, quando:
─ o corpo responde
somente às exigências propostas pela mente;
─ o corpo responde a
todas as exigências propostas pela mente;
─ reagindo a todas as
exigências propostas pela mente, e apenas para esses comandos, o corpo se
adapta a elas, procura satisfazê-las.
A organicidade
corpo-mente revela-se no corpo que não age em vão, que não se esquiva da ação
necessária, que não reage de uma maneira autocontraditória e contraproducente.
Partindo destes princípios, a organicidade
do ator se encontra em um corpo que pulsa psicofisicamente em direção a um
objetivo, o qual, por sua vez, faz com que todas as ações desse corpo sejam
justificadas com conteúdos verdadeiros, tendo suas raízes na interioridade
física e psíquica do artista, as quais agem de forma condensada e simultânea.
Da representatividade
A atuação não interpretativa
viabiliza-se por meio do princípio da equivalência, que consiste em o ator “ter
o mesmo valor e ainda assim ser diferente” (BARBA, 1995, p. 95). De acordo com
Luís O. Burnier (2009), o ator deve representar e não interpretar, pois afirma
que aquele que interpreta, apenas faz a tradução de uma linguagem literária
para a cênica, enquanto o que representa está
no lugar de, assim, “não busca um personagem já existente,
ele constrói um equivalente por meio de suas ações físicas” (BURNIER, 2009, p. 23). O ator que representa age e emite sinais,
e o espectador cria, para determinados sinais, um sentido. Por meio da relação
entre o ator e o espectador há a criação do personagem, assim, “não é o ator
quem está entre o personagem e o espectador, mas, o personagem que está entre o
ator e o espectador” (BURNIER, 2009, p. 22).
O personagem é criado por meio de sinais, é concebido a partir da relação
ator-espectador, nesses aspectos, o teatro configura-se como “o que acontece
entre o espectador e o ator” (GROTOWSKI, 1971, p. 18).
Temos aqui o deslocamento do foco de
criação. Com a atuação não interpretativa, a criação cênica emerge do corpo do
ator e não mais do texto dramático. Transpondo esses princípios para o campo
dos exercícios com as corporeidades animais pode-se afirmar que estas servem
como subsídios para a organicidade (aguçamento psicofísico) e para a
representatividade (ação não interpretativa) do ator.
Conclusões
Partindo dos princípios relacionados à
organicidade e à representatividade do ator, o trabalho das corporeidades animais
pode ser tomado primeiramente por um prisma técnico e posteriormente por um
prisma metafórico, em que é condensada em determinada corporeidade um conjunto
de qualidades mutáveis, tendo como catalisador dessas qualidades uma estrutura
codificada (o aspecto físico e mecânico da corporeidade animal, sua forma). O
objetivo do ator que trabalha com estes exercícios deve consistir em estudar
meios de fundir os aspectos físicos e mecânicos (fisicidade) da corporeidade
animal com suas próprias energias potenciais, as quais são absolutamente
subjetivas.
Nesse sentido, as corporeidades
animais configuram-se como as energias potenciais do ator investidas em uma
forma codificada e pré-estabelecida, as figuras a serem imitadas e
metaforizadas. Sendo fundamental à obtenção da organicidade, a fusão destes dois
aspectos, as energias potenciais do ator com as figuras metafóricas. Tal fusão
é a responsável pela geração de diferentes estados psicofísicos orgânicos, que
estão relacionados a nove corporeidades trabalhadas por Aguinaldo Moreira de
Souza: a Lagarta, o Peixe, a Serpente, o Jacaré, o Sapo, o Felino, o Cavalo, a
Águia e o Macaco.
Agradecimentos
Aos
meus pais e meu irmão.
Aos
professores Dr. Aguinaldo Moreira de Souza e Mª Adriane Maciel Gomes, sem os
quais este trabalho não teria sido concretizado. Muito obrigado por tudo o que
têm me ensinado ao longo desses anos.
À
Fundação Araucária, pelo financiamento desta pesquisa e por viabilizar a
realização de minhas aspirações acadêmicas. Muito obrigado.
Referências
BARBA, E. Equivalência. In:______; SAVARESE, N. (Org.). A arte secreta do ator: Dicionário
de Antropologia Teatral. Campinas: Editora da Unicamp, 1995. p. 95-103.
BURNIER,
L. O. A arte de ator: da técnica a
representação – Elaboração, codificação e sistematização de técnicas corpóreas
e vocais de representação para o ator. Tese de doutorado, Campinas: Editora da
Unicamp, 2009.
DAL
FORNO, A. A organicidade do ator. Dissertação de mestrado, Universidade
Estadual de Campinas, Instituto de artes, Campinas, 2002.
GROTOWSKI, J. Em busca de um teatro pobre.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971.
RUFFINI, F. “Sistema” de Stanislávski. In: BARBA, E.; SAVARESE, N. (Org.). A arte secreta do ator: Dicionário
de Antropologia Teatral. Campinas: Editora da Unicamp, 1995. p. 150-153.
[1] Os
exercícios com as corporeidades animais fora desenvolvido pelo professor Dr.
Aguinaldo Moreira de Souza e constitui-se de nove figuras a serem imitadas e
metaforizadas: a Lagarta, o Peixe, a Serpente, o Jacaré, o Sapo, o Felino, o
Cavalo, a Águia e o Macaco.
Postado por
ENTRE A POLÍTICA E A ESTÉTICA : MEU CORPO-PÁGINA E A MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO NAZISTA
às
18:50
Nenhum comentário:
Marcadores:
Pesquisa
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Entrevista pela TV Unesp: Que tal conhecermos um pouco mais sobre o espetáculo Viés e a Cia L2, hoje, no Artefato!?
Teatro
Em cartaz no Artefato o espetáculo 'Viés' da Companhia L2 de Londrina
Vamos mergulhar na arte através do corpo em uma entrevista com Aguinaldo de Souza
03/10/2012 00h00 Atualizada em 03/10/2012 16h18
Juliana Ramos
O espetáculo 'Viés' representa as sensações através de precisos movimentos corporais.
Baseado no teatro físico e na dança contemporânea, o espetáculo expõe um estudo dos atores sobre os caminhos que eles transitam, indo de sensações como a angústia, o medo e a felicidade.
Através da coreografia, os atores expressam a dúvida e a reflexão por meio de movimentos, trechos da literatura, textos próprios e dizeres colhidos do cotidiano. A construção dramática é apresentada como reinvenção do movimento, através de uma narrativa não linear, com cenas que convidam o público a pensar sobre seus próprios caminhos e sensações.
Baseado no teatro físico e na dança contemporânea, o espetáculo expõe um estudo dos atores sobre os caminhos que eles transitam, indo de sensações como a angústia, o medo e a felicidade.
Através da coreografia, os atores expressam a dúvida e a reflexão por meio de movimentos, trechos da literatura, textos próprios e dizeres colhidos do cotidiano. A construção dramática é apresentada como reinvenção do movimento, através de uma narrativa não linear, com cenas que convidam o público a pensar sobre seus próprios caminhos e sensações.
A Companhia L2 surgiu de um grupo de pesquisas da Universidade Estadual de Londrina que busca criar uma técnica experimental. Para falar sobre este trabalho, recebemos no estúdio do Artefato o Professor e diretor do espetáculo 'Viés', Aguinaldo de Souza.
A apresentação do espetáculo fez parte da programação da primeira edição do FACE - Festival de Que tal conhecermos um pouco mais sobre o espetáculo Viés e a Cia L2, hoje, no Artefato!?Artes Cências de Bauru, que aconteceu entre os dias 26 e 30 de setembro.
E nossa equipe foi conferir os bastidores do espetáculo e conhecer como é o trabalho de preparação dos atores.
E nossa equipe foi conferir os bastidores do espetáculo e conhecer como é o trabalho de preparação dos atores.
Conheça o trabalho da companhia L2, no Artefato desta semana!
O programa vai ao ar toda quarta-feira às 22h30 nos canais 45 UHF e 32 da NET ou em nosso site. Reprises: sábado às 16h00 e domingo às 14:00h.
O programa vai ao ar toda quarta-feira às 22h30 nos canais 45 UHF e 32 da NET ou em nosso site. Reprises: sábado às 16h00 e domingo às 14:00h.
Assinar:
Postagens (Atom)



